quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Letramento Digital
 

“Tudo muda
O tempo todo

No mundo...”

O conceito sobre alfabetização sofreu significativas transformações ao longo do tempo. Por ser uma concepção política ela é compreendida de maneira diferente a depender do contexto inserido. Se analisarmos os dados do IBGE ao longo dos anos veremos profundas modificações no que se refere ao item “pessoa alfabetizada”. Na última pesquisa feita - 2013- considera-se uma pessoa alfabetizada aquela que sabe ler e escrever. Soares (2004) entende o processo de alfabetização como aquisição do sistema convencional de escrita, ou seja, apropriação do código. É um processo de codificação e decodificação do sistema de escrita.


Entretanto, as novas demandas sociais passaram a necessitar de indivíduos que não apenas soubessem ler e escrever, mas que também fizessem uso competente das práticas sociais de leitura e escrita, indivíduos letrados!! De acordo com Soares (2004), letramento é “estado ou condição de quem exerce as prática sociais de leitura e escrita, de quem participa de eventos em que a escrita é parte integrante da interação entre pessoas e do processo de interpretação dessa interação”.


Trabalhando com formação de professores alfabetizadores, onde todo o estudo teórico é baseado nos estudos sobre alfabetização e letramento, nunca havia me dado conta das implicações da tecnologia digital na configuração da natureza do letramento mesmo diante da forte presença da mesma no nosso dia a dia.

Mas hoje, vivendo em uma sociedade cada vez mais conectada, mais mediatizada pela tecnologias digitais, esse letramento dá conta de desenvolver habilidades para viver nesse mundo digital? Como se configura esse conceito diante desse novo contexto social? Podemos pensar o processo de alfabetização que desconsidere a cultura digital?
Não sei se podemos, aliás, acho que não podemos, mas é o que estamos fazendo! Professores, coordenadores pedagógicos, diretores, negamos diariamente a presença do digital na escola mesmo que a todo o momento os alunos nos mostrem novas formas de escrita e de leitura, de produção e divulgação da escrita, o que requer desenvolvimento de novas habilidades.

Trabalhando com formação de professores alfabetizadores há uns 3 anos, me pergunto como nunca havia me questionado sobre as implicações das tecnologias digitais na natureza do letramento, suas implicações e configurações a partir desse contexto. A sensação é que descobri a pólvora!!!rsrsr
Como vou discutir letramento na minha dissertação sem considerar o digital??? Afff!!!

Tudo mudou!!! Tudo mudado!!! Um embaraço!!!!

Quantas vezes diante das inúmeras reclamações dos professores sobre o uso do aparelho celular em sala eu me dirigi aos alunos com o seguinte questionamento: Celular é objeto de trabalho? qdo eu mesma respondia... NÃO!!!! Então guardem!!!
Após algumas aulas fui compreendendo esse cenário e morrendo de vergonha dessa e de outras muitas bobagens que falei. OMG!

 Nos dias de hoje, numa sociedade cada vez mais digital, onde nossas práticas sociais estão cada vez mais íntimas das tecnologias não dá pra negar sua presença, é preciso problematizar, incorporar a cultura digital a cultura da escola. A tarefa não é fácil, mas não dá pra voltar atrás!! É preciso se apropriar da tecnologia digital e exercer práticas de leitura e escrita “na tela”.

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