Letramento
Digital
“Tudo
muda
O
tempo todo
No
mundo...”
O conceito sobre alfabetização
sofreu significativas transformações ao longo do tempo. Por ser uma concepção
política ela é compreendida de maneira diferente a depender do contexto
inserido. Se analisarmos os dados do IBGE ao longo dos anos veremos profundas
modificações no que se refere ao item “pessoa alfabetizada”. Na última pesquisa
feita - 2013- considera-se uma pessoa alfabetizada aquela que sabe ler e
escrever. Soares (2004) entende o processo de alfabetização como aquisição do
sistema convencional de escrita, ou seja, apropriação do código. É um processo
de codificação e decodificação do sistema de escrita.
Entretanto, as novas demandas
sociais passaram a necessitar de indivíduos que não apenas soubessem ler e
escrever, mas que também fizessem uso competente das práticas sociais de
leitura e escrita, indivíduos letrados!! De acordo com Soares (2004), letramento
é “estado ou condição de quem exerce as prática sociais de leitura e escrita,
de quem participa de eventos em que a escrita é parte integrante da interação
entre pessoas e do processo de interpretação dessa interação”.
Trabalhando com formação de professores
alfabetizadores, onde todo o estudo teórico é baseado nos estudos sobre
alfabetização e letramento, nunca havia me dado conta das implicações da
tecnologia digital na configuração da natureza do letramento mesmo diante da
forte presença da mesma no nosso dia a dia.
Mas hoje, vivendo em uma sociedade
cada vez mais conectada, mais mediatizada pela tecnologias digitais, esse
letramento dá conta de desenvolver habilidades para viver nesse mundo digital?
Como se configura esse conceito diante desse novo contexto social? Podemos
pensar o processo de alfabetização que desconsidere a cultura digital?
Não sei se podemos, aliás, acho que
não podemos, mas é o que estamos fazendo! Professores, coordenadores pedagógicos,
diretores, negamos diariamente a presença do digital na escola mesmo que a todo
o momento os alunos nos mostrem novas formas de escrita e de leitura, de
produção e divulgação da escrita, o que requer desenvolvimento de novas
habilidades.
Trabalhando com formação de
professores alfabetizadores há uns 3 anos, me pergunto como nunca havia me
questionado sobre as implicações das tecnologias digitais na natureza do
letramento, suas implicações e configurações a partir desse contexto. A
sensação é que descobri a pólvora!!!rsrsr
Como vou discutir letramento na
minha dissertação sem considerar o digital??? Afff!!!
Tudo mudou!!! Tudo mudado!!! Um
embaraço!!!!
Quantas vezes diante das inúmeras
reclamações dos professores sobre o uso do aparelho celular em sala eu me
dirigi aos alunos com o seguinte questionamento: Celular é objeto de trabalho?
qdo eu mesma respondia... NÃO!!!! Então guardem!!!
Após algumas aulas fui compreendendo
esse cenário e morrendo de vergonha dessa e de outras muitas bobagens que
falei. OMG!
Nos dias de hoje, numa sociedade cada vez mais
digital, onde nossas práticas sociais estão cada vez mais íntimas das
tecnologias não dá pra negar sua presença, é preciso problematizar, incorporar
a cultura digital a cultura da escola. A tarefa não é fácil, mas não dá pra
voltar atrás!! É preciso se apropriar da tecnologia digital e exercer práticas
de leitura e escrita “na tela”.
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